Trabalhos Publicados Fundação Bienal de São Paulo - Parque Ibirapuera

26ª Bienal de São Paulo - Território Livre - Registro de Montagem

O ano é 2004.

Gilberto Gil, Ministro da Cultura, abre o registro lembrando que para muitos de nós a Bienal ofereceu o primeiro contato com a arte em suas múltiplas expressões e potencialidades - contato ampliado agora com a política de acesso gratuito à mostra.


Alfons Hug, curador da 26ª Bienal de São Paulo, define "Território Livre" - tema da mostra: "Na estética, o território livre começa onde o mundo convencional termina. Designa aquele espaço onde a realidade e a imaginação estão em conflito."


27 de agosto.

Enquanto Ivens Machado acompanha a construção de uma muralha de toras apontadas e empilhadas como lápis, carpinteiros atravessam a "Vital Brasil" de Thiago Bortolozzo - uma avenida erguida em caibros e chapas de compensado - pelas vidraças do pavilhão.

Rui Chafes desembarca uma estrutura de ferro que ergue duas esferas enormes a 7 metros do chão, para que Vera Mantero possa pousar seu corpo frágil entre elas e das alturas ecoar sua performance.


Receber a missão de documentar a montagem de uma Bienal de São Paulo para o primeiro (e se não me engano único) registro de montagem de uma das maiores e mais importantes mostras do mundo, foi como mergulhar num quadro de um Dali frenético, poliglota, e obviamente... surreal.


Por quase 1 mês de montagem, pude acompanhar cada etapa, cada desafio, cada perrengue e glória de se reunir tantas idéias, propósitos, aspirações, revoluções em um único espaço de 25 mil metros quadrados.

Vi obras nascerem ali dentro, como "Uneasy Bird", o pássaro gigante que Cai Guo Qiang e sua equipe confeccionaram no vão livre ao lado da rampa, com cipó, vime, bambú e luminárias.

Vi Paulo Climachauska desenhar "Palácio", o espelhamento do pavilhão à suas costas na parede branca. Seu instrumento para preencher toda uma face interna da Bienal? Caneta permanente. Detalhe: as linhas eram na verdade uma infinita conta de subtração.


E graças à intervenção na estrutura interna do pavilhão pelas mãos de Mike Nelson e sua equipe (dá-lhe @ricardoramalho !!), o prédio da Bienal não somente recebeu obras, como tornou-se parte de uma.


Segue o registro do trabalho monstro envolvido em uma mostra deste porte. 

Já a publicação pode ser acessada em sua íntegra no ISSUU pelo link abaixo:

https://issuu.com/bienal/docs/name36f5d4

Minha eterna gratidão a Martina Merklinger meu "dedo de Adão", a Rafael Kanki pelas asas, e Ana Gonçalves Magalhães, que fez tudo acontecer.


É artista ou galerista e não sabe por onde começar a produção do seu catálogo ou livro da obra ou mostra? Clique no botão do whatsapp. ;-)